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Dia da Consciência Negra: “é preciso lembrar para não esquecer”.

  • 20 de novembro de 2019

A data celebra a influência da cultura africana na identidade do Brasil, os protagonistas da historiografia negra brasileira e atenta para o combate ao racismo.

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi oficialmente instituído pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data alude à morte de Zumbi – pernambucano que nasceu livre, mas foi escravizado aos seis anos de idade. Mais tarde, ele voltaria para sua terra natal, tornando-se líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695, firmando seu nome na historiografia brasileira como símbolo de luta, resistência e inspiração para o movimento negro.

Além de celebrar a população negra e o impacto da cultura africana na construção da identidade brasileira, o dia 20 de novembro traz luz a figuras centrais para a história do Brasil, que nem sempre constam nos livros escolares.

Ademais de nomes mundialmente conhecidos como Martin Luther King Jr., Malcom X e Nelson Mandela, o movimento negro brasileiro também possui protagonistas históricos, cuja resistência deve ser lembrada. O CFT elencou os principais deles:

Luiz Gama: nascido em 1830, em Salvador, aprendeu a ler e escrever aos 17 anos com um estudante de direito. Gama reivindicou sua liberdade ao seu proprietário, afinal, nascera livre. Alforriado, Luiz Gama estudou Direito como autodidata para defender escravos, criando uma nova forma de ativismo abolicionista: entrava com ações na Justiça para a libertação de escravos. Calcula-se que tenha conseguido a liberdade de cerca de 500 pessoas. Figura central do movimento abolicionista, só foi reconhecido como advogado 133 anos após sua morte.

Maria Firmina dos Reis: A maranhense Maria Firmina (1825-1917) era negra e livre, “filha bastarda”, mas formou-se professora e publicou, em 1859, o que é considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula. O livro conta a história de personagens negros que questionam o sistema escravocrata. Maria Firmina é reconhecida pela historiografia como a primeira escritora abolicionista.

 

André Rebouças: Nascido na Bahia, em 1838, em uma família negra livre, Rebouças estudou engenharia e foi responsável por diversas obras de engenharia importantes no país, como a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá. A Avenida Rebouças, em São Paulo, é uma homenagem a André e a seu irmão, o também engenheiro, Antonio. As ideias de Rebouças incluíam não apenas o fim da escravidão. Ele propunha que os negros libertos tivessem acesso à terra e a direitos, para serem integrados, não marginalizados. “É preciso dar terra ao negro. A escravidão é um crime. O latifúndio é uma atrocidade”, proclamava Rebouças.

Machado de Assis: Filho de um mulato pintor de paredes e de uma imigrante portuguesa que trabalhava como lavadeira, Machado de Assis nasceu em 1839, no Rio de Janeiro. A escravidão foi abolida somente 49 anos após o seu nascimento. Devido ao preconceito racial, teve pouco acesso ao ensino e se tornou autodidata. No seu primeiro trabalho, em uma padaria, aprendeu com a patroa a ler e traduzir em francês. Machado de Assis só se tornou um escritor conhecido a partir de 1872, com a publicação do romance Ressurreição. Foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras e seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, é uma das obras mais importantes do mundo.

Carolina de Jesus: Nascida em 1914, em Sacramento, Minas Gerais, Carolina era de família pobre, cursou somente os primeiros anos do primário, e se mudou para São Paulo em 1937, onde trabalhou como empregada doméstica e catadora de papel. Nessa época, ela escreveu diários onde relatava seu cotidiano como moradora da favela do Canindé.

Em 1958, ao fazer uma reportagem no Canindé, um jornalista conheceu Carolina e leu seus 35 diários. Dois anos depois, ele publicou um dos diários com o título de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. A obra teve êxito internacional, vendeu mais de 100 mil exemplares em 40 países e foi traduzida em 13 línguas.

Milton Santos: filho de dois professores primários, Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Santos foi o precursor da pesquisa geográfica na Bahia e, na década de 90, tornou-se o único pesquisador brasileiro a ganhar o Prêmio Vautrin Lud, o Nobel da Geografia. Milton Santos recebeu vinte títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da América Latina e da Europa, publicou mais de 40 livros e mais de 300 artigos científicos.

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Dia da Consciência Negra: “é preciso lembrar para não esquecer”.

  • 20 de novembro de 2019

A data celebra a influência da cultura africana na identidade do Brasil, os protagonistas da historiografia negra brasileira e atenta para o combate ao racismo.

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi oficialmente instituído pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data alude à morte de Zumbi – pernambucano que nasceu livre, mas foi escravizado aos seis anos de idade. Mais tarde, ele voltaria para sua terra natal, tornando-se líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695, firmando seu nome na historiografia brasileira como símbolo de luta, resistência e inspiração para o movimento negro.

Além de celebrar a população negra e o impacto da cultura africana na construção da identidade brasileira, o dia 20 de novembro traz luz a figuras centrais para a história do Brasil, que nem sempre constam nos livros escolares.

Ademais de nomes mundialmente conhecidos como Martin Luther King Jr., Malcom X e Nelson Mandela, o movimento negro brasileiro também possui protagonistas históricos, cuja resistência deve ser lembrada. O CFT elencou os principais deles:

Luiz Gama: nascido em 1830, em Salvador, aprendeu a ler e escrever aos 17 anos com um estudante de direito. Gama reivindicou sua liberdade ao seu proprietário, afinal, nascera livre. Alforriado, Luiz Gama estudou Direito como autodidata para defender escravos, criando uma nova forma de ativismo abolicionista: entrava com ações na Justiça para a libertação de escravos. Calcula-se que tenha conseguido a liberdade de cerca de 500 pessoas. Figura central do movimento abolicionista, só foi reconhecido como advogado 133 anos após sua morte.

Maria Firmina dos Reis: A maranhense Maria Firmina (1825-1917) era negra e livre, “filha bastarda”, mas formou-se professora e publicou, em 1859, o que é considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula. O livro conta a história de personagens negros que questionam o sistema escravocrata. Maria Firmina é reconhecida pela historiografia como a primeira escritora abolicionista.

 

André Rebouças: Nascido na Bahia, em 1838, em uma família negra livre, Rebouças estudou engenharia e foi responsável por diversas obras de engenharia importantes no país, como a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá. A Avenida Rebouças, em São Paulo, é uma homenagem a André e a seu irmão, o também engenheiro, Antonio. As ideias de Rebouças incluíam não apenas o fim da escravidão. Ele propunha que os negros libertos tivessem acesso à terra e a direitos, para serem integrados, não marginalizados. “É preciso dar terra ao negro. A escravidão é um crime. O latifúndio é uma atrocidade”, proclamava Rebouças.

Machado de Assis: Filho de um mulato pintor de paredes e de uma imigrante portuguesa que trabalhava como lavadeira, Machado de Assis nasceu em 1839, no Rio de Janeiro. A escravidão foi abolida somente 49 anos após o seu nascimento. Devido ao preconceito racial, teve pouco acesso ao ensino e se tornou autodidata. No seu primeiro trabalho, em uma padaria, aprendeu com a patroa a ler e traduzir em francês. Machado de Assis só se tornou um escritor conhecido a partir de 1872, com a publicação do romance Ressurreição. Foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras e seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, é uma das obras mais importantes do mundo.

Carolina de Jesus: Nascida em 1914, em Sacramento, Minas Gerais, Carolina era de família pobre, cursou somente os primeiros anos do primário, e se mudou para São Paulo em 1937, onde trabalhou como empregada doméstica e catadora de papel. Nessa época, ela escreveu diários onde relatava seu cotidiano como moradora da favela do Canindé.

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Milton Santos: filho de dois professores primários, Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Santos foi o precursor da pesquisa geográfica na Bahia e, na década de 90, tornou-se o único pesquisador brasileiro a ganhar o Prêmio Vautrin Lud, o Nobel da Geografia. Milton Santos recebeu vinte títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da América Latina e da Europa, publicou mais de 40 livros e mais de 300 artigos científicos.